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quinta-feira, 28 de julho de 2022

ADVERSIDADE

 




enredou-se na trama

mergulhou na lama

da adversidade...


dançou sob a hasta

mais de uma vez

despetalou sua dor

silenciosa, surreal

sem perder a castidade


na lucidez

endoidece um “basta”

leveda a alma

retorna inteira

pura e marginal


Maria Lucia (Centelha)





segunda-feira, 25 de julho de 2022

ALFA E ÔMEGA

 



Caminhei sem rumo 
junto as vagas
vaguei
instante fugaz 
pra sonhar 
sonhei...

misturei tristezas ao sal
para transmutar 
o onírico em real 
nova energia 
pro meu Ser 
marejei... 

no ocaso de fogo
intrigante fusão 
que me entardece
incendiei-me!

incandescente, 
em total e inefável entrega
mar e sol - alfa e ômega!



Maria Lucia (Centelha Luminosa)

quinta-feira, 21 de julho de 2022

BATIMENTO DE ASAS

 




Eu sei 
esse pássaro
que vem em visita
no afã do flerte que me faz
roçando-me a mão
ficará somente o tempo
que for capaz
de  degustar a fruta suculenta
que lhe dou porque
depois, saciado
voará contente
em seu batimento 
de asas.


Maria Lucia (Centelha) 





segunda-feira, 18 de julho de 2022

DESENCANTO







quando fazia bom tempo
exalava por todo lado 
um perfume de broto verde 
 então, eu rumava para o verão 
mais próximo onde havia
muita dança e muito canto
ali, feliz, eu declamava versos...


e o que eu temia tanto
eu vejo hoje emoldurado
na fundura do tempo
um poema frio, inacabado
atravessado entre os dentes
rosa hirta em desencanto.


Maria Lucia (Centelha) 

quarta-feira, 13 de julho de 2022

ÍNTIMA REGÊNCIA




ai de mim...
quando não te manifestas
e o teu sol 
não me raia uma luz qualquer
estéril a palavra míngua
todo o verso se estraçalha
nesse deserto obscuro...

 

onde o teu influxo de magia?
esquecida a minha escrita 
sofre por uma migalha


luminosa poesia, 
íntima regência  
é o teu canto 
que eu procuro.


Maria Lucia (Centelha)

sábado, 9 de julho de 2022

RECEITA DA FELICIDADE




Nada sei da receita da felicidade. Não conheço o caminho que leva à alegria, para ela um atalho eu suponho...
Onde se oculta o pote do arco-íris, não sei, mas nele um pouco de esperança eu ponho…
Ignoro como trazer de volta os amores, nem como se cultivam as flores...
Desconheço a melodia que embala o sono e muito menos, o colorido que enfeita os sonhos...

Não tenho para te dar o balsamo que alivia a dor, e o cansaço dos teus pés, nas caminhadas da vida, mas posso dar-te a receita de um bolo de chocolate que ao estresse combate.

Escrever-te um poema simples, sem rimas, ou métrica e regras, contanto, que ele nos aproxime…
Versos que falem de amizade, de companheirismo, algumas bobeiras, mas com muita atenção e respeito em como está o teu coração, e com a mais nobre intenção, eu te pergunto nesse texto que eu fiz:
- existe algo que eu possa fazer para seres feliz?

Maria Lucia (Centelha)

terça-feira, 5 de julho de 2022

ABISMO



no silêncio que fala
sou a leitura e a feitura 
de versos efêmeros
incorporadas versões
para estrofes desmontadas 
palavras afloram
nas intenções
delas me aposso
e me arrisco e me entrego
para um poema apressado
o salto no abismo das formas
sem escoras, me salva!


Maria Lucia (Centelha)