quarta-feira, 23 de junho de 2021

POR UM TRIZ

 




Um aguaceiro do alto


deixou um rastro na rua


com capricho o céu atua


nessa poça pequenina 


e por um triz - quem diria !


deixei de pisar na Lua! 


 

Maria Lucia ( Centelha)




domingo, 20 de junho de 2021

APENAS UM NOME

O beijo do sol me amanhece

com seu ouro 

impregna de calor

jánelas e portas abertas 

a alma que tenho 

e a esse dia que promete

um balé de beija-flores 

conjuração de asas 

para o que mal sei ainda...


 o cheiro bom de um café à mesa

me perfuma a boca, rejuvenesço 

de repente, um sopro

choque anímico

súbita transfusão 

do que paira em mim

escrevo um nome 

na palma da mão - que louca! 

apaixonada por um alguém

que,  ainda, não conheço....


Maria Lucia (Centelha)

 


sexta-feira, 18 de junho de 2021

FRUTO PROIBIDO

















Das coisas inatingíveis,

qual fruto maduro 

no topo inacessível

ao meu toque

atraiu o meu olhar

ambicionei o néctar que de lá  fluía. 

instiguei as asas. E voei!


das minhas infinitas vontades 

conheci a alma imprecisa do desejo

jorrei paixão ao vento 

das impossibilidades,

plainei em órbita no inconcebível

me deixei ficar...


permaneço, ainda, a esperar

e a desejar um pouco 

do tudo que avistei

e ainda que houvesse 

um fio de esperança 

a (des)limitar meu alcance

somente a imaginação

saboreia esse fruto 

de outro pomar.


Maria Lucia ( Centelha)


quarta-feira, 16 de junho de 2021

FLORESCÊNCIA

                                                       



Não há muito tempo o amor
me perfumou pelo avesso
não vi o tempo passar
distrai-me, confesso...

floresceu tanto a minha vida
que me vi sem idade
naquela fase do adolescer
em plena maturidade...

dei-me por inteira
sem atinar o perigo
se falso ou verdadeiro
como se amar para mim
fosse a doçura encantada
do amor primeiro!!


Maria Lucia (Centelha)





domingo, 13 de junho de 2021

BEIJOS DERRAMADOS



Vertem chamas os teus olhos
enquanto me amas
um laço os teus braços
a me enrodilhar a cintura 
comprimindo deliciosamente 
meu corpo ao teu, obstinado domínio
ai...ai...doce loucura!...

gemidos, meu nome sussurrado
é o máximo do prazer que se avizinha
  é o néctar de beijos fartos derramados
poção de Eros é mel na tua boca  
ao desfolhar a minha...

Maria Lucia (Centelha)

 
 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

QUEM SOU EU ?


olho-me no espelho sem susto ou estranheza

não busco a beleza 

aos meus disfarces me assemelho... 


olhar de fera me empodera mas prefiro o de menina

que há muito me fascina entre todos 

em tantas eras... 


engendradas personagens disfarçadas, descartadas

verniz enganoso da aparência

quanta saudade de mim!... 


me viro do avesso

afasto o tropeço e indago ao espelho:

- quem sou eu ?

 

Maria Lucia ( Centelha) 



quarta-feira, 9 de junho de 2021

ONDE SEU OLHAR MORAVA

Foto de arquivo pessoal

 Dia após dia o seu olhar

ao longe se perdia

onde era posto 

se céu

ou mar 

uma flor

o rosto 

de um amor 

ninguém sabia

o que tanto a atraia

onde seu olhar morava

não estava exposto


depois saia por aí

a versejar

lavrar palavras

como bem queria

a sua poesia. 


Maria Lucia ( Centelha)

 

segunda-feira, 7 de junho de 2021

A POESIA QUE ME BUSCA

de inesperado rodopia
para o meu lado
ruflando a sua saia inventada
transparente de intenção
recobre-me os olhos
desnuda-me a imaginação...

num sopro traquinas
dá-me a senha:
- não me ponha cabrestos
sou transiente!
quando quiseres, busca-me
na intemporalidade
na contradição.

e desassossega-te
se puderes ...

Maria Lucia (Centelha) 



domingo, 6 de junho de 2021

QUEM PODERÁ SABER ?





Ela  inventa e (re) inventa histórias tantas 

quantas lhe arranhem a imaginação

e as coloca por perto

mais que ouro

mais que rezas...

  

cria casos e causos somente pra causar!

mas não é o bastante romantizar

suas inverdades e fingimentos

o seu verso ela perfuma

do seu hálito cravo

canela

incensos ...


um jeito de se ver por dentro

em sua desmedida vivência

seu excesso, seu fôlego,

um grito reprimido, quem sabe

quem poderá saber?

 

Maria Lucia (Centelha)


quinta-feira, 3 de junho de 2021

PROMESSA DE ONTEM

À meia luz 
penumbra do entardecer
a noite logo ali
a alguns passos de mim
não evitei que me apagasse junto
cegamente entrei 
confiei no luzir de um novo dia 
- promessa de ontem
p
    e
    d
 u
       r
a
   d
a
nos deslimites do céu
para que eu pudesse puxar o seu fio...

Onde ?...

Maria Lucia (Centelha)



Se nesses deslimites falta um fio
E o Céu ainda não o ofereceu
Com o sabor da água dum rio
À imagem deixo um elogio meu
.
E ao poema e sua beleza
Digo aqui sinceramente
À meia-luz existe a certeza
Que o amor está presente
.
Poéticos cumprimentos.

Ric@rdo.