Visitantes

terça-feira, 27 de setembro de 2022

OLHAR DE UM POETA


Foi o brilho do sol
qual uma manhã fresca
sobre a minha indigência
poesia sem escárnio
de liberdade 
para o próximo ato
o assombro que me fez cessar 
a costura
em meus remendos
minha sina
meu escombro
a rega mansa e discreta
em minhas sementes 
na alma
tudo o que encontrei 
nesse teu olhar 
profundo
e instigante de poeta!


Maria Lucia (Centelha)

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

MAREJAR

 




veio de repente
sem disfarce 
qual chuva caindo
ao findar do dia 
a marejar 
navegante 
sobre minha pele 
tempo o bastante
de misturar-se 
nesse enredo
e me permear 
como poesia...

Maria Lucia (Centelha) 




domingo, 18 de setembro de 2022

ONDE EXISTO





para além 
das suas palavras
o átimo de tempo
me guiou ate o sumo
que se derramava 
do entalhe de sua alma

daí, recebi o fluir de um canto
como o sol recebe
uma manhã umedecida
após a madrugada

a emoção fia-se a si mesma
com o prolongado olhar
do seu sonho
onde existo...

Maria Lucia (Centelha) 



quarta-feira, 14 de setembro de 2022

MOTIVO

 



ainda que eu conheça 
por experiência ou por instinto
um terreno duvidoso
do plantio à adubação 
- me atrai a ênfase
que tem toda novidade...

ainda, que eu saiba
do perigo que tem 
uma atração súbita 
e do abismo
que habita um beijo
surpreendo-me arranhando 
o solo acidentavel 
da incerteza...

esse impulso antigo da alma
como um estigma ou ofício
confesso não saber 
sua inteireza
mas... não importa
eu só preciso de um motivo
sempre!


Maria Lucia ( Centelha)
…ᘛ️🧚‍♀️ᘛ️...…ᘛ️🧚‍♀️ᘛ️...

sábado, 10 de setembro de 2022

SINTONIA



houve o choque
encontro selado
por inaudível explosão

  o toque invisível dos dedos
mapeou a pele
eriçou os pelos
acelerou a pulsação

se isso não for 
 sintonia... conexão...

Maria Lucia ( Centelha)

terça-feira, 6 de setembro de 2022

VIGÍLIA



na noite passada havia 
tanta lua
tanto brilho de estrela
ecoando nos instantes
tempo de abrasar
a eternidade
no olhar da espera...

[alguém não apareceu...]

uma arvore forte
farfalhou e o ninho nas ramas
vacilou.
um grilo insone
             as rãs 
           o vento
           um cão
ninguém dormiu
             nem eu.


Maria Lucia (Centelha)

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

O MEU SIM




... beijos diretos da fonte
para encher de doçura
os meus lábios
e a curvatura
do meu colo
em troca
minha dança noturna
salpicando de estrelas
a sua pele
até que
o gáudio solar da manhã
nos surpreenda exangues

... dei o meu sim
desmedidamente
o meu sim!...



Maria Lucia (Centelha)


sábado, 27 de agosto de 2022

TUDO PASSA

 


Tudo passa

nesse mundo!...

Qual pássaro 

no voejar fugaz do segundo

fugidio haicai 

na neblina do céu 

ao fundo.


Maria Lucia ( Centelha)

domingo, 21 de agosto de 2022

TEMPO VAZADO

 



o aguaceiro intermitente 
resvala sobre o telhado
e paredes fraturadas por idade 
longos fios cintilantes
e para além da vidraça 
embaçada de memórias
um olhar tresnoitado 
desenha em gotas imagens e vultos 
que a chuva copiosa vai dissipando
com a mesma precisão
que o tempo talhou
a sua ident_idade.


Maria Lucia (Centelha)  







quinta-feira, 18 de agosto de 2022

SUA VINDA

 



Venha, se puder
no murmurinho da tarde
quando ela se deita
no leito azul-marinho 
do horizonte
se desejar, 
venha em noite alta 
em segredo
como gosta
eu tenho o gosto
se estiver 
sedento neste instante
venha
sob essa chuva
que se derrama lenta
nessa madrugada 
secretíssima 
para amantes.

Maria Lucia (Centelha)


domingo, 14 de agosto de 2022

VERSOS PIRILAMPOS


afrouxadas as amarras
eu quero o espaço que mitigue
essa ânsia de voar...
 
como por encanto
palavras emergem
e me caem em pencas...

uma aragem repentina
de algum recanto
evolam versos pirilampos
para a luminosidade
 de uma tela que os abrigue

que alegria!...
os  pássaros cantam
é  primavera?

Maria Lucia ( Centelha ) 


domingo, 7 de agosto de 2022

REVIVER


um adeus repentino
no bordado das palavras
são alinhavos soltos 
do que restou da loucura 
daquele "caso" torto...

por trás da fresta 
como consolo
estanca o choro...
 
um bisturi que fere 
é o mesmo 
que esparge a cura 
e liberta a vida 
ao que parecia 
morto.


Maria Lucia (Centelha)



 

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

SOBRE AMAR





o destino se um houver
não me trouxe aquele
que faria nascer o amor para
que eu pudesse transcender
gotejada de poesia...


truncada a intenção 
da semente concebida
na latência do imaginário 
impede a delícia
de uma fruição, mas 
sem qualquer pudor
de amar não "abro mão"


Maria Lucia (Centelha) 





segunda-feira, 1 de agosto de 2022

EXPLICAR O AMOR






... é como tentar 
explicar o  porquê 
da correnteza de um rio  
entre as duas margens
abraço sem prisão e o porquê 
a tarde tem mais beleza
na penumbra do final do dia  
entre o pôr do sol
e a argêntea lua...


explicar 
esse querer estar
quando não devia
pra fecundar tão bom 
envolvimento de prazer 
e encantamento em hora
fugidia, ainda, que breve 
pra depois, ir-se embora
e desaparecer 
no fim da rua...


Maria Lucia (Centelha )







quinta-feira, 28 de julho de 2022

ADVERSIDADE

 




enredou-se na trama

mergulhou na lama

da adversidade...


dançou sob a hasta

mais de uma vez

despetalou sua dor

silenciosa, surreal

sem perder a castidade


na lucidez

endoidece um “basta”

leveda a alma

retorna inteira

pura e marginal


Maria Lucia (Centelha)





segunda-feira, 25 de julho de 2022

ALFA E ÔMEGA

 



Caminhei sem rumo 
junto as vagas
vaguei
instante fugaz 
pra sonhar 
sonhei...

misturei tristezas ao sal
para transmutar 
o onírico em real 
nova energia 
pro meu Ser 
marejei... 

no ocaso de fogo
intrigante fusão 
que me entardece
incendiei-me!

incandescente, 
em total e inefável entrega
mar e sol - alfa e ômega!



Maria Lucia (Centelha Luminosa)

quinta-feira, 21 de julho de 2022

BATIMENTO DE ASAS

 




Eu sei 
esse pássaro
que vem em visita
no afã do flerte que me faz
roçando-me a mão
ficará somente o tempo
que for capaz
de  degustar a fruta suculenta
que lhe dou porque
depois, saciado
voará contente
em seu batimento 
de asas.


Maria Lucia (Centelha) 





segunda-feira, 18 de julho de 2022

DESENCANTO







quando fazia bom tempo
exalava por todo lado 
um perfume de broto verde 
 então, eu rumava para o verão 
mais próximo onde havia
muita dança e muito canto
ali, feliz, eu declamava versos...


e o que eu temia tanto
eu vejo hoje emoldurado
na fundura do tempo
um poema frio, inacabado
atravessado entre os dentes
rosa hirta em desencanto.


Maria Lucia (Centelha) 

quarta-feira, 13 de julho de 2022

ÍNTIMA REGÊNCIA




ai de mim...
quando não te manifestas
e o teu sol 
não me raia uma luz qualquer
estéril a palavra míngua
todo o verso se estraçalha
nesse deserto obscuro...

 

onde o teu influxo de magia?
esquecida a minha escrita 
sofre por uma migalha


luminosa poesia, 
íntima regência  
é o teu canto 
que eu procuro.


Maria Lucia (Centelha)

sábado, 9 de julho de 2022

RECEITA DA FELICIDADE




Nada sei da receita da felicidade. Não conheço o caminho que leva à alegria, para ela um atalho eu suponho...
Onde se oculta o pote do arco-íris, não sei, mas nele um pouco de esperança eu ponho…
Ignoro como trazer de volta os amores, nem como se cultivam as flores...
Desconheço a melodia que embala o sono e muito menos, o colorido que enfeita os sonhos...

Não tenho para te dar o balsamo que alivia a dor, e o cansaço dos teus pés, nas caminhadas da vida, mas posso dar-te a receita de um bolo de chocolate que ao estresse combate.

Escrever-te um poema simples, sem rimas, ou métrica e regras, contanto, que ele nos aproxime…
Versos que falem de amizade, de companheirismo, algumas bobeiras, mas com muita atenção e respeito em como está o teu coração, e com a mais nobre intenção, eu te pergunto nesse texto que eu fiz:
- existe algo que eu possa fazer para seres feliz?

Maria Lucia (Centelha)