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domingo, 22 de agosto de 2021

SÊMEN DOS DIAS





  das insones madrugadas
                           do encanto
            da imaginação febril 
       da espera por um toque, 
                  um sinal qualquer 
             do sêmen dos dias
           o poema concebido
                   que não me cabe...

                    abafo a palavra
                seguida de silêncio 
            para pleitear, por ora
           apenas o teu ouvido....

Maria Lucia (Centelha )  

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

ESSA VOZ
































há um chamado 
por  meu nome
vindo não sei onde
é quase um bramido
arranhando a voz 
de quem me chama
há nela contido desejo
represado gemido
beirando o despudor
fosse o abismo 
o nosso lugar-comum
essa voz que se aproxima
vinda de lugar algum
sussurra meu nome, em chamas
como se quisesse fazer amor!


Maria Lucia ( Centelha)


domingo, 15 de agosto de 2021

PRETEXTO


Para tê-lo nos braços, anseio de dias
bastou um furtivo olhar
para lacrar a travessia
das possibilidades infindas...

a lavanda que antecedeu seus passos
prenúncio de euforia à vista...

o sabor de um cativeiro beijo
e o desafio de alcançar os meandros
das carícias fatais
a partilha de volúpias
dessas que extasiam a pele mas o coração
acelera primeiro!

depois, o aceno tão fora do contexto!
um vulto desaparece na esquina da promessa.
Para uma inconsequente volta
falta apenas, o pretexto!

Maria Lucia (Centelha )

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

IMAGINAÇÃO



        
num átimo
em desassombro medonho
icei velas nesse mar 
de infinitas ondas
indevassável mistério
que são os teus olhos
e me atirei...

doce é a aventura 
de singrar-te 
sem a pressa das horas
louca imaginação  
onde em pensamento me ponho
a pressentir
afogar-me de prazer!

Maria Lucia (Centelha) 

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domingo, 8 de agosto de 2021

O SONHO EM QUE EU MORAVA

 

O sonho em que eu morava

feito de ternura e chamas

imensurável que era

raiava prazeres utópicos

tão bom de ser sonhado

eis que me despeja

pro caminho real, 

sem escolta...

 

que sandice!...

 ali eu bem respirava

desperta para o amor

ainda que dormisse...


Maria Lucia (Centelha)



 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

DAQUELES DIAS




Lembro as mãos dadas 

sobre a mesa

as pernas 

se roçando embaixo dela 

da memória o que é bom o tempo

não gasta

é prazer 

que ainda, retenho

entrevejo o riso solto

entre uma palavra e outra os beijos

de sobremesa

daqueles dias pouco ou nada

é a lembrança que tenho.


Maria Lucia (Centelha ) 




sábado, 31 de julho de 2021

POESIA NA NOITE


era uma noite serena

que se arvorava em luares 

pra se estesiar

e ao cintilar distraída 

em uma gota de orvalho

esta triste lhe dizia:

- vem de ti , oh, noite , esse brilho

ou me roubaste a poesia?


Maria Lucia ( Centelha )



quinta-feira, 29 de julho de 2021

ASA TRUNCADA



nem tudo é beiral

na curvatura miúda dos olhos

a amplidão os preenchem 

se inundam de azul

transbordam de verde

o longe o atrai

abandonar-se ao vento

para voos sem volta

do horizonte tomar posse

Ah!... mas , impulso truncado não revoa

nesse definhar precoce

domesticado

esqueceu como é que voa

para o mundo

um bater de asas, a menos

 

Maria Lucia (Centelha)




 

terça-feira, 27 de julho de 2021

ROMANCE

 



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abre parêntese 


põe a noite azulada de lua

para polvilhar de prata 

uma varanda.

em nossas bocas (in)quietas

o vinho

descendo lento...

ao menor sinal de mudança de ares

  um epicentro pra desatar os nós 

entre nós dois pra estremecer

um laço de fogo 

eu adivinho

em nossa alma noturna

desatada. 


- fecha parêntese - 


Maria Lucia (Centelha) 

__♡♡________♡♡________♡♡__


domingo, 25 de julho de 2021

ANOMALIA



Nas dobras que o dia dá

na leveza do varal

alvo lençol tremula ao vento

- Que anomalia!... 

branca asa esvoaça ao sol

não conhece outra cercania!


Maria Lucia ( Centelha)


 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

MEU TEMPO

 

 
Vivo ensurdecida em silêncios 
logo eu, ruidosa em improvisar 
pequenas alegrias e prazeres 
em cada passo dado...

ensimesmada 
nessa via-crúcis de hoje 
acolho os arroubos de um vento 
que aos gemidos me seca a face alagada...

os ponteiros de um velho relógio
insurgem sem cessar, tramas insólitas 
em direção ao meu tempo
para a descontinuidade 
do meu estar. 

sem prestar contas 
ao fio cortante das horas  
que me ronda a pele madura
continuo a expor poemas 
como se fosse a alma.

Maria Lucia (Centelha )



terça-feira, 20 de julho de 2021

MEU VERSO



Vai sendo o meu verso

uma parte de mim que se desloca 

sem rumo e sem tema 

em busca do ancoradouro 

de uma estrofe que o sustenha...


vertigem , não sabe de si 

senão que é instinto

impulso despudorado

de naufragar na intimidade 

d'algum poeta.


pura vontade de se tornar 

um poema!!


Maria Lucia (Centelha)  


domingo, 18 de julho de 2021

NO PARAÍSO


Horas à fio esse louco 

suga-me os contornos, 

o sorriso, o lampejo do olhar 

e até o sagrado ócio...


já tomou dos meus licores

degustou os meus sabores

mas não se contenta com pouco 


Que sede incontida! ...


Embevecido ante o meu adejar

pelo paraíso do gozo

aqui, ainda, permanece 

como se além de mim

nada mais houvesse 


Maria Lucia (Centelha) 



quinta-feira, 15 de julho de 2021

SÚBITO GOSTAR

Arquivo pessoal

Que eu ame, desame, e ame de novo

num constante arriscar

fluxo contínuo e livre 

como versos sem estrofe

sem tempo pra hesitação

a entrega está na mão espalmada

e o desejo que a língua represa

úmida para um súbito gostar 

um gostar a toa, que seja

é melhor que nada ... 


Maria Lucia (Centelha) 




terça-feira, 13 de julho de 2021

COMPRAZER



era-lhe o silêncio as asas 

para as lonjuras ao seu olhar

flertava com abismos fictícios

tamanha a vontade de migrar 

de sorte ninguém a acompanhava

porque ousava metamorfosear-se

em cada entardecer 

e entardecente se fazia 

pra se comprazer.

 

Maria Lucia (Centelha)



 

domingo, 11 de julho de 2021

SOLITUDE



passo pelos dias

entre o verso e a solitude 

poemando-me conforme o sol 

por entre os dedos

ou o manancial ameaçador

cravado sob as pálpebras

que só contenho na unha.


não me rendo, ainda...


rabisco  na folha do tempo

uma outra florescência

para o meu estio

não importa o inverno 

no entremeio

converto as lamúrias

em sopros resignados

e os coloco por perto 

mais que lágrimas.


Maria Lucia (Centelha) 




quarta-feira, 7 de julho de 2021

BAGAGEM


Traz por debaixo 

da pele crestada pelo sol 

das muitas transgressões

invisíveis  batalhas

submersa incompletude

e uma lua nova cheia

de sonhos que mínguam

dentro de uma noite

que nunca envelhece...

 

 que importa sua bagagem 

e nenhum indício de certeza

se o que eu sinto

faz-me crer

 na doçura dos beijos

que esse poeta hoje

me oferece?

                            

       Maria Lucia (Centelha)



domingo, 4 de julho de 2021

VOEJOS



Há um brilho pulcro naqueles olhos

ao contemplá-la

na imobilidade da fotografia  

o corpo estremece

reage involuntariamente

julgas haver naquela imagem um convite

e o inevitável acontece

ele a despe devagar

tece-lhe asas de passarinha

e a prepara para o próprio gozo

que é vê-la voejar ante o seu olhar!


Maria Lucia ( Centelha )


sábado, 3 de julho de 2021

RAIO DE SOL



Na maneira 

inesperadamente insana

de me reproduzir no silêncio 

mais pensada que articulada

a palavra fica vã...


Sozinha, eu ? Não!...

tenho a existência 

de vivências cheia

trago uma saudade antiga 

sobre os os ombros

e essa janela escancarada 

para o mundo...


é todo meu o clarão da aurora 

e também os ventos 

que embaraçam os meus cabelos

ruídos de amores estilhaçados

e esse pequeno raio de sol

a me cortejar nessa hora...


Maria Lucia ( Centelha)