Tijolos que me isolavam, cairão
a vidraça que me encarcerava,
ao chão
a luz há de penetrar pelos vãos
dos escombros.
Tudo eu guardava ali, meu pensar
meus devaneios
meus amados
e meus anseios
vistos a olho nu,
lágrimas e risos
emparelhados no mesmo baú.
Escorre de cada detalhe desse teto
sentimentos ambíguos
onde eu os colocava
em assomos de choro em secreto...
Na mudança, levo comigo
alguns versos truncados
incompleta poesia
o rolo compressor de herança.
Demolida a antiga moradia
com ela fragmentos meus
e dos dias, os segredos.
Liberto-me, enfim, desse degredo
tenho do que restou o que eu sou.
Nesse ínterim, vou encaixotando
o resumo intacto
de tudo o que mais versejei
dentro de mim...














