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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

NÓS DOIS



no instante em que 
tocaste a minha mão 
na despedida e a reteve na tua,
não evitei o prazer pela posse
esmerei-me na intensidade do olhar
e  cravei-o no teu.
 
na duração eterna de um segundo
nossos corpos apenas se roçaram
mas foi o suficiente para provocar 
tuas carnes e fazer explodir 
a avidez do desejo voraz de tua alma
e a minha, à descoberto 
se expandiu com a tua no infinito 
sem tempo ou espaço.
 
Maria Lucia ( Centelha)
 

domingo, 26 de setembro de 2021

PERCEPÇÃO



 * ˚

.. ˚ ˚ *  ˚ ˚ * 


Quem vê o seu riso fácil

escândalo a lhe emoldurar a face 

não sabe da pérola parida

incrustada na pele de dentro.

Haja acuidade pra essa dor invisível 

que  pacífica os bichos da alma

com doce piedade.


Maria Lucia (Centelha) 

 * ˚

.. ˚ ˚ *  ˚ ˚ * 


 


terça-feira, 21 de setembro de 2021

O MEU LUGAR

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....  em sua boca de poucas palavras 
pairam o convite e a senha
o passaporte
o voo
em seu olhar de lúcida chama
brotam frases chispadas
pendentes
adivinhadas...

assim, a sua retina é um lugar 
todo pra mim.


Maria Lucia ( Centelha)

。☆✼★━━━━━━━━━━━━━━━━━━━━★✼☆。

sábado, 18 de setembro de 2021

AROMA DOCE

Hoje estou 

nessa lembrança recorrente

que te percorre o corpo

a estremecer no vôo de me pensar

a somatória, síntese do teu medo

e recuas...

 

sou o segredo vivo de sabor, 

tato e cheiro guardado em ti 

com mil trancas de silêncios

que te descompensas...

 

se tentas me evitar, te desacertas

desde que me fiz teu fôlego

e o aroma doce desse bicho 

que sou eu, grudado na tua pele.

 

Maria Lucia ( Centelha )

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

CLAREZA

˚ * ˚

.. ˚ ˚ * ˚ ˚ *


Meu descaminho

é um percurso longo

cantarolado na ponta da lança

o que me exige esperteza

coragem... fortaleza

por que o horizonte é do tamanho 

da minha clarividência.


Maria Lucia ( Centelha)

˚ * ˚

.. ˚ ˚ * ˚ ˚ *

  

domingo, 12 de setembro de 2021

DA PRECE AO GRITO



Por que ao palavrório 

que se recita vejo a poesia dista

tantas tralhas, tanto lasso

por que entre a alma que lateja

há a palavra que esquarteja

por essa e por outras é que 

entre a azáfama de tanta escrita

e às amarras que me induzem ao nó do laço

prefiro as mãos abertas para o infinito

para onde envio preces

e de vez em quando

um grito.


Maria Lucia (Centelha) 



quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A ESPERA DE UM POETA


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a noite não dorme - orvalha  
derrama de seu sereno
para umedecer as manhãs
e para as pétalas caídas
desdobra suave mortalha
a noite baila e cintila 
como uma fêmea para o poeta 
que não dispensa uma rosa 
e gotas na pupila.

Maria Lucia (Centelha) 

• * • .. ·  ¸ ¸. • '..  • * ¨ `* • .. · .• * • .. ·  

domingo, 5 de setembro de 2021

TELEPATIA

 


Deseja-me

 e me toca sem afagos

à sombra do seu silêncio

por se saber intocável

enquadra-me em secreto 

na moldura de seus olhos acesos


eu sei, pra burlar o fogaréu 

que lhe consome tem na palma 

a rigidez que lateja os músculos 

e nervos da alma...


imploro que saiba

são coisas assim, e mais nada

que me põem tanto e absurdamente

em excitação....


Maria Lucia (Centelha) 

 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

A GOTA D'ÁGUA


Não sei de onde vem

deslocando brisas em espiral

inesperada gota d'água 

na entremanhã do meu quintal

em suave bailado matutino

ritual do seu destino pousa de leve 

numa folha de inhame

a espera de um raio de sol

que a derrame!


Maria Lucia ( Centelha ) 


*****


quarta-feira, 1 de setembro de 2021

QUEM PODERÁ SABER ?


Ela inventa histórias tantas quantas 

lhe arranhem a imaginação

não sendo o bastante romantizar

suas inverdades e fingimentos

tece versos que pendem de seus dedos

e os perfuma com devoção e zelo


cria casos e causos pra causar

efeito, talvez, de sua desmedida vivência

impalpável excesso, 

ressonância contraditória 

incorpórea e vadia a dançar 

entre as palavras


sem sobressaltos chega e já vai

mas goteja um grito inaudível


dessa de fora ou a de dentro? 

quem sabe, quem poderá saber?


Maria Lucia (Centelha)

domingo, 29 de agosto de 2021

FAZ DE CONTA

 

é apenas uma parte o poema que nasce
da minha inquietação
do meu desassossego, apenas sombra...

a outra parte um fingimento medonho
do que quero e me abstenho
desejo proibido onde interesse eu ponho...

meu silêncio viajante vai de ponta a ponta
exacerbada imaginação nesse coabitar
num mundo de faz de conta...

Maria Lucia (Centelha ) 
 


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

ASAS DESDOBRADAS



a asa
de que fui dotada
se estua em silêncios
nas várias de que sou feita

latência...dobraduras...

se alonga e se imensa
num salto que se infinita
para além dos limites
da órbita...

tempo do fluxo
de uma estação
que germina
e eclode
o rocio
ócio
cio...


Maria Lucia (Centelha )

domingo, 22 de agosto de 2021

SÊMEN DOS DIAS





  das insones madrugadas
                           do encanto
            da imaginação febril 
       da espera por um toque, 
                  um sinal qualquer 
             do sêmen dos dias
           o poema concebido
                   que não me cabe...

                    abafo a palavra
                seguida de silêncio 
            para pleitear, por ora
           apenas o teu ouvido....

Maria Lucia (Centelha )  

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

ESSA VOZ
































há um chamado 
por  meu nome
vindo não sei onde
é quase um bramido
arranhando a voz 
de quem me chama
há nela contido desejo
represado gemido
beirando o despudor
fosse o abismo 
o nosso lugar-comum
essa voz que se aproxima
vinda de lugar algum
sussurra meu nome, em chamas
como se quisesse fazer amor!


Maria Lucia ( Centelha)


domingo, 15 de agosto de 2021

PRETEXTO


Para tê-lo nos braços, anseio de dias
bastou um furtivo olhar
para lacrar a travessia
das possibilidades infindas...

a lavanda que antecedeu seus passos
prenúncio de euforia à vista...

o sabor de um cativeiro beijo
e o desafio de alcançar os meandros
das carícias fatais
a partilha de volúpias
dessas que extasiam a pele mas o coração
acelera primeiro!

depois, o aceno tão fora do contexto!
um vulto desaparece na esquina da promessa.
Para uma inconsequente volta
falta apenas, o pretexto!

Maria Lucia (Centelha )

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

IMAGINAÇÃO



        
num átimo
em desassombro medonho
icei velas nesse mar 
de infinitas ondas
indevassável mistério
que são os teus olhos
e me atirei...

doce é a aventura 
de singrar-te 
sem a pressa das horas
louca imaginação  
onde em pensamento me ponho
a pressentir
afogar-me de prazer!

Maria Lucia (Centelha) 

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domingo, 8 de agosto de 2021

O SONHO EM QUE EU MORAVA

 

O sonho em que eu morava

feito de ternura e chamas

imensurável que era

raiava prazeres utópicos

tão bom de ser sonhado

eis que me despeja

pro caminho real, 

sem escolta...

 

que sandice!...

 ali eu bem respirava

desperta para o amor

ainda que dormisse...


Maria Lucia (Centelha)



 

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

DAQUELES DIAS




Lembro as mãos dadas 

sobre a mesa

as pernas 

se roçando embaixo dela 

da memória o que é bom o tempo

não gasta

é prazer 

que ainda, retenho

entrevejo o riso solto

entre uma palavra e outra os beijos

de sobremesa

daqueles dias pouco ou nada

é a lembrança que tenho.


Maria Lucia (Centelha ) 




sábado, 31 de julho de 2021

POESIA NA NOITE


era uma noite serena

que se arvorava em luares 

pra se estesiar

e ao cintilar distraída 

em uma gota de orvalho

esta triste lhe dizia:

- vem de ti , oh, noite , esse brilho

ou me roubaste a poesia?


Maria Lucia ( Centelha )



quinta-feira, 29 de julho de 2021

ASA TRUNCADA



nem tudo é beiral

na curvatura miúda dos olhos

a amplidão os preenchem 

se inundam de azul

transbordam de verde

o longe o atrai

abandonar-se ao vento

para voos sem volta

do horizonte tomar posse

Ah!... mas , impulso truncado não revoa

nesse definhar precoce

domesticado

esqueceu como é que voa

para o mundo

um bater de asas, a menos

 

Maria Lucia (Centelha)