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domingo, 14 de agosto de 2022

VERSOS PIRILAMPOS


afrouxadas as amarras
eu quero o espaço que mitigue
essa ânsia de voar...
 
como por encanto
palavras emergem
e me caem em pencas...

uma aragem repentina
de algum recanto
evolam versos pirilampos
para a luminosidade
 de uma tela que os abrigue

que alegria!...
os  pássaros cantam
é  primavera?

Maria Lucia ( Centelha ) 


domingo, 7 de agosto de 2022

REVIVER


um adeus repentino
no bordado das palavras
são alinhavos soltos 
do que restou da loucura 
daquele "caso" torto...

por trás da fresta 
como consolo
estanca o choro...
 
um bisturi que fere 
é o mesmo 
que esparge a cura 
e liberta a vida 
ao que parecia 
morto.


Maria Lucia (Centelha)



 

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

SOBRE AMAR





o destino se um houver
não me trouxe aquele
que faria nascer o amor para
que eu pudesse transcender
gotejada de poesia...


truncada a intenção 
da semente concebida
na latência do imaginário 
impede a delícia
de uma fruição, mas 
sem qualquer pudor
de amar não "abro mão"


Maria Lucia (Centelha) 





segunda-feira, 1 de agosto de 2022

EXPLICAR O AMOR






... é como tentar 
explicar o  porquê 
da correnteza de um rio  
entre as duas margens
abraço sem prisão e o porquê 
a tarde tem mais beleza
na penumbra do final do dia  
entre o pôr do sol
e a argêntea lua...


explicar 
esse querer estar
quando não devia
pra fecundar tão bom 
envolvimento de prazer 
e encantamento em hora
fugidia, ainda, que breve 
pra depois, ir-se embora
e desaparecer 
no fim da rua...


Maria Lucia (Centelha )







quinta-feira, 28 de julho de 2022

ADVERSIDADE

 




enredou-se na trama

mergulhou na lama

da adversidade...


dançou sob a hasta

mais de uma vez

despetalou sua dor

silenciosa, surreal

sem perder a castidade


na lucidez

endoidece um “basta”

leveda a alma

retorna inteira

pura e marginal


Maria Lucia (Centelha)





segunda-feira, 25 de julho de 2022

ALFA E ÔMEGA

 



Caminhei sem rumo 
junto as vagas
vaguei
instante fugaz 
pra sonhar 
sonhei...

misturei tristezas ao sal
para transmutar 
o onírico em real 
nova energia 
pro meu Ser 
marejei... 

no ocaso de fogo
intrigante fusão 
que me entardece
incendiei-me!

incandescente, 
em total e inefável entrega
mar e sol - alfa e ômega!



Maria Lucia (Centelha Luminosa)

quinta-feira, 21 de julho de 2022

BATIMENTO DE ASAS

 




Eu sei 
esse pássaro
que vem em visita
no afã do flerte que me faz
roçando-me a mão
ficará somente o tempo
que for capaz
de  degustar a fruta suculenta
que lhe dou porque
depois, saciado
voará contente
em seu batimento 
de asas.


Maria Lucia (Centelha) 





segunda-feira, 18 de julho de 2022

DESENCANTO







quando fazia bom tempo
exalava por todo lado 
um perfume de broto verde 
 então, eu rumava para o verão 
mais próximo onde havia
muita dança e muito canto
ali, feliz, eu declamava versos...


e o que eu temia tanto
eu vejo hoje emoldurado
na fundura do tempo
um poema frio, inacabado
atravessado entre os dentes
rosa hirta em desencanto.


Maria Lucia (Centelha) 

quarta-feira, 13 de julho de 2022

ÍNTIMA REGÊNCIA




ai de mim...
quando não te manifestas
e o teu sol 
não me raia uma luz qualquer
estéril a palavra míngua
todo o verso se estraçalha
nesse deserto obscuro...

 

onde o teu influxo de magia?
esquecida a minha escrita 
sofre por uma migalha


luminosa poesia, 
íntima regência  
é o teu canto 
que eu procuro.


Maria Lucia (Centelha)

sábado, 9 de julho de 2022

RECEITA DA FELICIDADE




Nada sei da receita da felicidade. Não conheço o caminho que leva à alegria, para ela um atalho eu suponho...
Onde se oculta o pote do arco-íris, não sei, mas nele um pouco de esperança eu ponho…
Ignoro como trazer de volta os amores, nem como se cultivam as flores...
Desconheço a melodia que embala o sono e muito menos, o colorido que enfeita os sonhos...

Não tenho para te dar o balsamo que alivia a dor, e o cansaço dos teus pés, nas caminhadas da vida, mas posso dar-te a receita de um bolo de chocolate que ao estresse combate.

Escrever-te um poema simples, sem rimas, ou métrica e regras, contanto, que ele nos aproxime…
Versos que falem de amizade, de companheirismo, algumas bobeiras, mas com muita atenção e respeito em como está o teu coração, e com a mais nobre intenção, eu te pergunto nesse texto que eu fiz:
- existe algo que eu possa fazer para seres feliz?

Maria Lucia (Centelha)

terça-feira, 5 de julho de 2022

ABISMO



no silêncio que fala
sou a leitura e a feitura 
de versos efêmeros
incorporadas versões
para estrofes desmontadas 
palavras afloram
nas intenções
delas me aposso
e me arrisco e me entrego
para um poema apressado
o salto no abismo das formas
sem escoras, me salva!


Maria Lucia (Centelha)




quinta-feira, 30 de junho de 2022

O NÓ

 



entre a leira dos dias 
os ermos do corpo
banhado de calores
sobre o leito vazio
há o espasmo da noite
que me contorce os sentidos 
na lembrança, os desejos 
que eu persigo...

o peitoral onde eram
estendidos os meus cabelos
o cheiro, os lábios, e a mão 
pra desatar o nó dessa secura, 
esquecer, eu juro
não consigo!

Maria Lucia (Centelha) 


segunda-feira, 27 de junho de 2022

PRESENTE

 



entreaberta a janela

me entrega o presente

na manhã 

um campo fresco, orvalhado

a luzir de vida

festa na retina 

não importa 

a noite passada sem estrela

a madrugada lenta

com seus coaxos e zumbidos

embutidos nela


Maria Lucia ( Centelha) 


quinta-feira, 23 de junho de 2022

AMOR E DESEJO




na aspiração de amar
vou inventando 
umas cumplicidades
e suas doçuras
uns momentos 
de respiração suspensa
sem os sobressaltos 
tantos...
já pra confundir, de súbito 
irrompe das entranhas
um desejo vadio
corcel sem freios
no cio pro coito
babando sem pudor 
e se me apresenta:
- muito prazer, sou o amor!


Maria Lucia (Centelha) 



segunda-feira, 20 de junho de 2022

PRESENÇA




quem haverá 
de percebê-la
no ritmo invisível
do som
em cada canto
em cada eira
mágica
inefável 
no grito
ou sussurro
do belo e no bem
na dor alheia
misteriosamente 
nela refletidos?

no seu modo leve 
da partilha
a se desmanchar 
sem lamuria
e sem ruído 
na alma inquieta
de sabê-la sútil
quando fica
até mesmo depois 
de haver partido?



Maria Lucia ( Centelha)


sexta-feira, 17 de junho de 2022

VENTO DO LADO NORTE




ao  vento 
que vem de longe
de um ponto do lado norte
eu imploro - vem devagar
não converta a sua aragem
em apressado vendaval
soprando forte
sou feita de fogo, lascívia 
e tessitura abrasada 
à flor-da-pele
sua língua ventania
pode despertar 
surdida vontade
que começa com um beijo
e depois, bem...
depois termina na saudade.

Maria Lucia ( Centelha)






quarta-feira, 15 de junho de 2022

Homenagem aos Santos Populares

 



O  poeta Juvenal Nunes convidou 

e prontamente aceitei com alegria, 

lá do Blog 

https://palavrasaladas1952.blogspot.com/2022/06/aos-santos-populares-o-mes-de-junho-e-o.html




Mês de Junho, tradição
devoção de tanta gente
um santo do coração
Santo Antônio vem na frente
no olhar de Sao João, a luz 
ao cumprir a lei do amor
com seriedade e rigor
batiza o Senhor Jesus
pra São Pedro a missão
que o mestre tanto almeja: 
- "Tu és pedra e sobre ti
edificarei minha igreja"!


Maria Lucia ( Centelha)


sábado, 11 de junho de 2022

HÁ UM FIO






Há um fio tênue 
que nasce aqui
natural, água de fonte
medula que germina
e se alonga 
pra algum lugar
pra fluir um verso
 não se sabe aonde...

se mantém, ainda, capaz 
de independer 
de coisa alguma 
que o ignore 
nesse tempo adverso...

corre liso e preciso 
por rota obscura
onde não há nenhuma luz
que o ampare
mas é como se houvesse...

por isso, continua na procura
antes que a indiferença 
o devore...

Maria Lucia (Centelha)












 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

ENCANTO PROFUNDO





nas palavras 
a paixao comanda os versos
e determina
pra onde os deseja levar
sob a sua tutela...

a estrofe 
não delimita a labareda
ávida por incendiar o destino
como faria a uma folha 
de papel-de-seda ...

o encanto profundo
que tem o amor
o poema
não revela.

Maria Lucia ( Centelha)

quinta-feira, 2 de junho de 2022

OFÍCIO

 





precisa, fugaz

um solfejo

    que ao silencio invade 

ventania dobrando o dia

mistério d'água a fluir livremente 

desde a nascente

morde a palavra quem diria

sem nenhum artifício

 e o poema se levanta

pra cumprir o seu ofício

de sussurrante haicai 

que entorna o verso

e logo vai...


Maria Lucia (Centelha)